Resumo
O envelhecimento da população coloca desafios significativos aos sistemas educativos, exigindo abordagens capazes de dar resposta à diversidade territorial e geracional. A educação intergeracional responde a parte desse desafio — mas continua, em grande medida, fragmentada e sem quadros metodológicos estruturados. Este artigo analisa o TRAMA VIVA como uma tecnologia social de educação intergeracional, criado por Neila Barbosa Osório na Universidade da Madureza (UMA/UFT) em 2006 e certificado pela Fundação Banco do Brasil em 2011. O objetivo é demonstrar que a prática científica com idosos constitui uma via legítima para a produção de conhecimento sobre a longevidade criativa — um conceito que designa aquilo que os eufemismos do mercado ocultam. A UMA opera 22 pólos em diversos territórios brasileiros — urbanos, rurais, indígenas e quilombolas —, mas este artigo centra-se num estudo de caso realizado em março de 2026 na Amazônia brasileira: uma sessão que reuniu, pela primeira vez documentada na literatura brasileira, estudantes de pós-graduação em educação, académicos idosos da UMA e militares da reserva na mesma experiência pedagógica. Os resultados revelam que a invisibilidade da velhice opera em camadas simultâneas de raça, sexualidade, patente militar e território, e que o dispositivo pedagógico central do TRAMA VIVA — a auto-revelação do educador como sujeito antes de qualquer exposição teórica — constitui a condição de possibilidade para que os participantes se apresentem na sua totalidade. A metodologia não suscita apenas reflexão: suscita projetos, sentimento de pertença e autoconsciência. Baseando-se no ensaio «Velho É Nome» (Osório & Silva Neto, 2026a) e em investigação empírica com populações amazónicas, o TRAMA VIVA contribui para o debate internacional ao dar voz ao que as amostras do Norte Global ainda não procuraram.
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