Perturbação bipolar de início tardio: um relato de caso
PDF
XML

Palavras-chave

Diagnóstico diferencial
idoso
mania de início tardio
perturbação bipolar de início tardio
psicogeriatria

Como Citar

Martins Ortiga, R. I., Azevedo Couto, M. B., Salgado Gonçalves, A., Monteleone, F., Sequeira Machado, M. E., Basto Pereira Da Fonseca, J. A., & Fernandes Lopes, E. C. (2026). Perturbação bipolar de início tardio: um relato de caso. RIAGE - Revista Ibero-Americana De Gerontologia, 9, e480. https://doi.org/10.61415/riage.480

Resumo

A perturbação bipolar de início tardio é uma entidade clínica pouco prevalente, cuja identificação e tratamento apresentam desafios particulares na população geriátrica, sobretudo no diagnóstico diferencial. Apresenta-se o caso clínico de uma mulher de 68 anos, com antecedentes de perturbação depressiva, sem história de seguimento especializado, admitida em internamento psiquiátrico por episódio maníaco inaugural. A informação clínica foi obtida através de entrevistas e da revisão do processo hospitalar, com consentimento informado da doente para a publicação do artigo. A investigação complementar identificou défice de vitamina B12 e leucoencefalopatia ligeira a moderada, provavelmente de etiologia isquémica crónica, fatores possivelmente contributivos, mas não exclusivos, para o quadro clínico. Apesar da estabilização clínica em internamento, desenvolveu um episódio depressivo três meses após a alta, seguido de recaídas depressivas e um período de sintomas hipomaníacos no acompanhamento subsequente em consulta de psicogeriatria, condicionando uma gestão farmacológica complexa. A introdução de lamotrigina permitiu alcançar a remissão sustentada. A perturbação bipolar tipo I foi considerada o diagnóstico mais provável com base no acompanhamento psiquiátrico longitudinal, na avaliação neuropsicológica e no parecer de neurologia, obtidos em ambulatório — que excluíram demência —, bem como na heteroanamnese. Este caso sublinha a importância de uma abordagem diagnóstica abrangente e sistemática perante a mania de início tardio no idoso, salientando a exclusão de causas secundárias, bem como a relevância do acompanhamento especializado longitudinal e do suporte sociofamiliar no prognóstico. Este artigo visa contribuir para a sensibilização dos profissionais de saúde para as especificidades diagnósticas e terapêuticas desta apresentação clínica.
PDF
XML

Referências

Amaladoss, A., & Le Claire, J. K. (2010). Late onset mania in the elderly. International Journal of Geriatric Psychiatry, 25(8), 870–872. https://doi.org/10.1002/gps.2408

Benedetti, A., Scarpellini, P., Casamassima, F., Lattanzi, L., Liberti, M., Musetti, L., & Cassano, G. B. (2008). Bipolar disorder in late life: Clinical characteristics in a sample of older adults admitted for manic episode. Clinical Practice and Epidemiology in Mental Health, 4(22). https://doi.org/10.1186/1745-0179-4-22

Besag, F. M. C., Vasey, M. J., Sharma, A. N., & Lam, I. C. H. (2021). Efficacy and safety of lamotrigine in the treatment of bipolar disorder across the lifespan: A systematic review. Em Therapeutic Advances in Psychopharmacology (Vol. 11). https://doi.org/10.1177/20451253211045870

Dhonju, G., Singh, P., & Joshi, N. (2014). First episode mania at the age of 78 years: A case report. Journal Psychiatrists’ Association of Nepal, 3(1), 43–44. https://doi.org/https://doi.org/10.3126/jpan.v3i1.11352

Figueira, M. L., & Akiskal, H. (2009). Clinical aspects of mania. Wolters Kluwer Health.

Hashimoto, Y., Kotake, K., Fujiwara, T., & Sakamoto, S. (2021). Lamotrigine in the maintenance treatment of bipolar disorder (Vol. 9, Número 9). Cochrane Database Systematic Reviews. https://doi.org/10.1002/14651858.cd013575.pub2

Lachner, C., Steinle, N. I., & Regenold, W. T. (2012). The neuropsychiatry of vitamin B12 deficiency in elderly patients. The Journal of Neuropsychiatry and Clinical Neurosciences, 24(1), 5–15. https://doi.org/10.1176/appi.neuropsych.11020052

Pereira, D., & Pereira, J. (2022). Raciocínio clínico em psiquiatria: Principais entidades psiquiátricas (1.ª ed., Vols. 1 e 2). LIDEL.

Richards, F., & Curtice, M. (2011). Mania in late life. Advances in Psychiatric Treatment, 17(5), 357–364. https://doi.org/10.1192/apt.bp.110.008300

Sajatovic, M., Gildengers, A., Al Jurdi, R. K., Gyulai, L., Cassidy, K. A., Greenberg, R. L., Bruce, M. L., Mulsant, B. H., Ten Have, T., & Young, R. C. (2011). Multisite, open-label, prospective trial of lamotrigine for geriatric bipolar depression: A preliminary report. Bipolar Disorders, 13(3), 294–302. https://doi.org/10.1111/j.1399-5618.2011.00923.x

Silva, T., Nunes, C., Ribeiro, A., Santana, I., & Cerejeira, J. (2024). White matter hyperintensities in bipolar disorder: Systematic review and meta-analysis. Em Frontiers in Psychiatry (Vol. 15). https://doi.org/10.3389/fpsyt.2024.1343463

Singh, P., Pandey, N. M., & Tiwari, S. C. (2015). Late-life mania: A brief review. Journal of Geriatric Mental Health, 2(2), 68–73. https://doi.org/10.4103/2348-9995.174269

Telles Correia, D. (2014). Manual de psicopatologia (2.ª ed.). LIDEL.

World Health Organization. (2022). International classification of diseases (11.ª ed.). https://icd.who.int

Zanetti, M. V., Cordeiro, Q., & Busatto, G. F. (2007). Late onset bipolar disorder associated with white matter hyperintensities: A pathophysiological hypothesis. Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, 31(2), 551–556. https://doi.org/10.1016/j.pnpbp.2006.10.004

Creative Commons License

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.

Direitos de Autor (c) 2026 Rita Isabel Martins Ortiga, Maria Beatriz Azevedo Couto, Andreia Salgado Gonçalves, Francesco Monteleone, Maria Eduarda Sequeira Machado, João Alberto Basto Pereira Da Fonseca, Elisa Catarina Fernandes Lopes