Resumo
O envelhecimento demográfico tem conduzido a um aumento significativo do número de pessoas com doença de Alzheimer a necessitar de cuidados de longa duração em estruturas residenciais, colocando desafios relevantes à sustentabilidade económica das instituições e à promoção da qualidade de vida dos residentes. Neste contexto, torna-se fundamental compreender de que forma a eficiência económica se relaciona com o bem-estar das pessoas com demência em contextos institucionais. Analisar a relação entre a eficiência económica das estruturas residenciais e a qualidade de vida das pessoas com doença de Alzheimer, numa perspetiva comparativa entre Portugal e Espanha. Estudo quantitativo, transversal, descritivo e correlacional, realizado em 40 estruturas residenciais para pessoas idosas, envolvendo uma amostra de 757 residentes diagnosticados com doença de Alzheimer. A eficiência económica foi avaliada através do método Data Envelopment Analysis (DEA), considerando inputs financeiros e recursos humanos, enquanto a qualidade de vida foi medida com a escala Quality of Life in Alzheimer’s Disease (QoL-AD). As estruturas residenciais portuguesas apresentaram, em média, níveis superiores de eficiência técnica quando comparadas com as espanholas, enquanto as estruturas espanholas evidenciaram melhores resultados em vários domínios da qualidade de vida, nomeadamente no bem-estar emocional e nas relações interpessoais. A análise revelou uma associação negativa moderada entre níveis elevados de eficiência económica e determinados indicadores da qualidade de vida. Os resultados sugerem que a eficiência económica não se traduz automaticamente em melhores níveis de qualidade de vida para pessoas com Alzheimer, evidenciando a necessidade de modelos de gestão que conciliem sustentabilidade financeira com abordagens centradas na pessoa. O estudo reforça a importância de políticas públicas e estratégias institucionais que promovam simultaneamente eficiência e bem-estar em cuidados residenciais para pessoas com demência.Referências
Brownie, S., & Nancarrow, S. (2013). Effects of person-centered care on residents and staff in aged-care facilities: A systematic review. Clinical Interventions in Aging, 8, 1–10. https://doi.org/10.2147/CIA.S38589
Charnes, A., Cooper, W. W., & Rhodes, E. (1978). Measuring the efficiency of decision making units. European Journal of Operational Research, 2(6), 429–444. https://doi.org/10.1016/0377-2217(78)90138-8
Chilingerian, J. A. (1995). Evaluating physician efficiency in hospitals: A multivariate analysis. Health Services Research, 30(2), 241–266.
Creswell, J. W., & Creswell, J. D. (2017). Research design: Qualitative, quantitative, and mixed methods approaches (5th ed.). Sage Publications.
DeLellis, N. O. (2009). Health care reform and the nursing home industry. Journal of Health Care Finance, 36(1), 1–14.
Harrington, C., Jacobsen, F. F., Panos, J., Pollock, A., Sutaria, S., & Szebehely, M. (2017). Marketization in long-term care: A cross-country comparison of nursing home policies. Social Policy & Administration, 51(4), 554–572. https://doi.org/10.1111/spol.12265
Hollingsworth, B. (2003). Non-parametric and parametric applications measuring efficiency in health care. Health Care Management Science, 6(4), 203–218. https://doi.org/10.1023/A:1026255523220
Kane, R. A., Kling, K. C., Bershadsky, B., Kane, R. L., Giles, K., Degenholtz, H. B., Liu, J., & Cutler, L. J. (2014). Quality of life measures for nursing home residents. The Journals of Gerontology: Series A, 59(3), S240–S248. https://doi.org/10.1093/gerona/59.3.S240
Kane, R. A., Ouslander, J. G., & Abrass, I. B. (2007). Essentials of clinical geriatrics (6th ed.). McGraw-Hill.
Livingston, G., Huntley, J., Sommerlad, A., Ames, D., Ballard, C., Banerjee, S., Brayne, C., Burns, A., Cohen-Mansfield, J., Cooper, C., Costafreda, S. G., Dias, A., Fox, N., Gitlin, L. N., Howard, R., Kales, H. C., Larson, E. B., Ritchie, K., Rockwood, K., Sampson, E. L., Samus, Q., Schneider, L. S., Selbæk, G., Teri, L., & Mukadam, N. (2020). Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission. The Lancet, 396(10248), 413–446. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)30367-6
Logsdon, R. G., Gibbons, L. E., McCurry, S. M., & Teri, L. (2002). Assessing quality of life in older adults with cognitive impairment. Psychosomatic Medicine, 64(3), 510–519. https://doi.org/10.1097/00006842-200205000-00016
Luoma, K., Järviö, M. L., Suoniemi, I., Hjerppe, R. T., Unto, J., & Jokinen, J. (1996). Financial incentives and productive efficiency in Finnish health centres. Health Economics, 5(5), 435–445. https://doi.org/10.1002/(SICI)1099-1050(199609)5:5<435::AID-HEC221>3.0.CO;2-U
Martin, S., Kelly, S., & Kernohan, W. G. (2020). Person-centred care in dementia: A critical review of the literature. Dementia, 19(2), 423–443. https://doi.org/10.1177/1471301218764453
OECD. (2021). Health at a glance 2021: OECD indicators. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/ae3016b9-en
Organização Mundial da Saúde. (2022). Global report on ageism. World Health Organization. https://www.who.int/publications/i/item/9789240016866
Prince, M., Wimo, A., Guerchet, M., Ali, G. C., Wu, Y. T., & Prina, M. (2016). World Alzheimer Report 2015: The global impact of dementia. Alzheimer’s Disease International.

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Direitos de Autor (c) 2026 Kleiver Sanchez, Susana Sanchéz-Herrera
