Resumo
Alterações cognitivas e motoras podem impactar na qualidade de vida da pessoa idosa. O objetivo do estudo foi avaliar a qualidade de vida antes e após um programa de estimulação cognitiva em idosos. O estudo conta com uma metodologia quase-experimental e foi composto por vinte e quatro idosos, dez do grupo controle e quatorze do grupo experimental. Ressalta-se que apenas o grupo experimental foi exposto a estimulação cognitiva semanalmente, em 12 encontros com duas horas cada, em que foram trabalhadas coordenação motora, raciocínio, memória, percepção visuoespacial, linguagem, concentração, atenção seletiva e concentrada, interação social, autonomia, fluência verbal, compreensão e crenças distorcidas. Foram utilizados questionário sociodemográfico e de qualidade de vida no idoso. Os resultados apontam que não houve relação entre idade e condição social com qualidade de vida para essa população. Observou-se uma avaliação predominantemente “regular” da qualidade de vida para os participantes dos dois grupos. No primeiro momento da avaliação somente um participante (de 14) do grupo experimental apresentou a qualidade de vida “boa” e no segundo momento da avaliação esse número passou para quatro. No grupo controle dois dos dez participantes apresentaram qualidade de vida “boa” na primeira avaliação e na segunda avaliação nenhum apresentou a qualidade de vida “boa”. A literatura aponta que programas de estimulação cognitiva podem contribuir na melhoria da qualidade de vida. Conclui-se que apesar da literatura mostrar o impacto da estimulação cognitiva, para essa população a intervenção não impactou significativamente a qualidade de vida e por isso, sugere-se um programa mais personalizado.
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