Resumo
A Doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa caracterizada por sintomas motores e não motores complexos. Na Europa, cerca de 1,2 milhões de pessoas vivem com esta doença. O atual cenário, impõe aos enfermeiros a procura da melhor evidência científica, para a prestação de cuidados de excelência e estas pessoas. Através das suas experiências e competências, os enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação, são vistos como uma especialidade importante para o cuidado centrado na pessoa e multidisciplinar, no entanto, pouco se sabe sobre as prioridades que definem para esses cuidados e o seu impacto na vida dessas pessoas. Objetivo: Avaliar o impacto de um programa de intervenção personalizado, realizado por um Enfermeiros Especialista em Enfermagem de Reabilitação nos sintomas não motores e na qualidade de vida aos idosos com Doença de Parkinson. Metodologia: Será realizado um estudo quantitativo de cariz experimental, com uma amostra intencional de conveniência, com avaliação pré e pós intervenção. Instrumentos de recolha de dados: Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson, parte I, da Sociedade de Distúrbios do Movimento, o Parkinson’s Disease Questionnaire – 39 e a escala de perceção global de mudança (versão Portuguesa). Resultados: Espera-se uma melhoria significativa na gestão dos sintomas da doença e na qualidade de vida dos participantes. Discussão: O impacto dos sintomas não motores na qualidade de vida dos idosos com doença de Parkinson tem sido amplamente estudado, com diversas evidências a suportar que abordagens multidimensionais podem reduzir significativamente estes sintomas e melhorar o bem-estar destes idosos. Conclusão: A melhoria dos cuidados aos idosos com Doença de Parkinson pode reduzir internamentos e idas ao serviço de urgência, diminuindo os custos de saúde. A sensibilização para os sintomas não motores e a criação de protocolos de cuidados são essenciais para uma abordagem mais eficaz e integrada da doença.
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